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César Gon: “Nossos colaboradores estão contaminados pelo alto valor que a tecnologia agrega”

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Foi ainda na universidade que César Gon – engenheiro de Computação com mestrado em Ciência de Computação pela Unicamp e fundador da CI&T – teve o primeiro contato com empreendedorismo; atuando na empresa júnior, na qual vendiam consultoria e projetos às empresas. Como ele mesmo diz: “mesmo não percebendo, o empreendedorismo já estava me cutucando ali”.

Anos depois, no início do mestrado, a oportunidade veio. Naquela altura, Cesar Gon não só estava preparado tecnicamente, mas também estava no lugar certo e na hora certa. E com a ajuda de um professor, que tinha um CNPJ à época sem uso, fez nascer a CI&T, aos seus 23 anos de idade. De lá para cá, são inúmeras as transformações que a empresa acumula em sua trajetória. E um crescimento de 30% ao ano.

 

Ser empreendedor não era seu objetivo inicial. Como o projeto de ser pesquisador em computação culminou na criação da CI&T?

Resposta:  Ao longo da minha adolescência fui descobrindo que o código e a programação podiam transformar observadores em protagonistas, mais do que isso, que seria possível mudar o mundo pela ponta dos dedos. A escolha natural para o meu curso de graduação foi engenharia da computação e o meu caminho óbvio era o de ser pesquisador. No entanto, ao ingressar na Unicamp sabia que também seria importante ter um aprendizado prático ao longo do curso. Foi assim que, já no meu primeiro ano da universidade, a nossa turma criou uma empresa júnior para vender consultoria e projetos às empresas. Mesmo não percebendo, o empreendedorismo já estava me cutucando ali. Ao concluir a graduação e iniciar o mestrado, ainda na rotina acadêmica, veio a oportunidade: conheci dois pesquisadores de dois laboratórios de uma multinacional americana. A companhia tinha centros em outros países que precisavam do tipo de conhecimento de software que eu e mais dois amigos da UNICAMP, dominávamos. Pedi a um professor se podia usar o CNPJ que ele tinha e que estava sem uso, então, em duas a três semanas e dessa vontade de atender a esse grupo americano, nasceu a CI&T – na época uma empresa especialista em programação de software.

 

Quais os principais desafios com os quais você se deparou no início? O que foi mais difícil no começo da empresa?

Resposta: No início tivemos desafios com os quais lidamos sozinhos: como ser profissionais, pois tínhamos apenas 22 a 23 anos e este era o nosso primeiro emprego; como ser empresários, porque tínhamos um CNPJ e já nascemos com a grande missão de exportar; e, principalmente, como liderar à medida que fomos ganhando mais projetos e contratando alunos da UNICAMP para formar nossos primeiros times. Aliás, muitos deles continuam conosco até hoje.

 

Você chegou a pensar em desistir em algum momento?

Resposta: Nos primeiros cinco anos da CI&T, o conhecimento da dura realidade do mercado forjou decisões que marcariam para sempre o nosso DNA. Percebemos muito cedo que gente talentosa e engajada era algo escasso. Empresas voltadas para projetos, naquela época, tinham como padrão “sanfonar” a equipe de acordo com a demanda. Contratavam e demitiam na mesma velocidade. Mas sabíamos que dava um trabalho enorme encontrar novos talentos e como podíamos abrir mão dessas pessoas quando a demanda estivesse baixa? A decisão foi trilhar o nosso próprio caminho, pois havíamos percebido que a magia mais empolgante era o de desenvolver pessoas. Dessa forma, definimos como solução para esse problema: (1) a Excelência: para não perder nossos talentos, não podíamos perder clientes e, por isso, sempre precisaríamos entregar com a máxima excelência; (2) Inovação: apostamos em ofertas diferenciadas, para tornar a empresa competitiva; (3) Crescimento: para gerar demanda aos nossos times e permitir uma evolução na carreira dos nossos talentos, tínhamos que manter um crescimento contínuo. Desse aprendizado surgiu o que define a CI&T até hoje: “Desenvolvemos pessoas antes de desenvolver software”.

 

O que você acredita que tenha sido um diferencial para que a CI&T chegasse ao patamar que está hoje?

Resposta: Dentre os diferenciais relevantes da CI&T está a sua cultura Lean que nos levou a ser, hoje, a parceira das marcas mais valiosas do mundo em seus desafios de transformação digital. A CI&T começou sua própria transformação, há cerca de dez anos, quando apostou no redesenho do seu modelo de liderança e desenvolvimento de pessoas com base no pensamento Lean. Em paralelo, tirou proveito da sua atuação no competitivo mercado dos EUA (incluindo parcerias com empresas icônicas do Silicon Valley) e desenvolveu competências essenciais ao mundo digital, incluindo Design, Digital Marketing, Mobile, Cloud, CX/UX, estratégias guiadas por dados, IoT, Machine Learning, Cognitive, análise avançada de dados, entre outras. Foi da inédita combinação de dois conjuntos de competências, o Lean e o Digital, que nasceu a abordagem para tornar as empresas dez vezes melhores. Neste contexto, também estão os nossos colaboradores contaminados pelo alto valor que a tecnologia agrega, para tornar os processos mais fáceis e os negócios mais ágeis. Juntos, trabalham na resolução de problemas complexos dos clientes de forma criativa, entusiasmados e sabendo conciliar conhecimentos técnicos com a prática, para entregar excelência e credibilidade.

 

Você acredita que essa ainda seja a chave de sucesso?

Resposta: A CI&T tem sido escolhida para acelerar a transformação digital das marcas mais valiosas do mundo. Temos recebido visitas constantes de CEOs, CIOs e CMOs na sede da CI&T, o Prisma, que está dentro do Pólis de Tecnologia II, em Campinas. São empresas interessadas na nossa experiência Lean Digital, para entender como seus negócios podem ser mais ágeis, velozes e competitivos.

A multiculturalidade também sempre foi um fator chave para o nosso processo de desenvolver pessoas. Em 2010, por exemplo, celebramos esse espírito de multiculturalidade com a contratação do milésimo funcionário: era uma designer russa, trabalhando num centro da CI&T na China, em uma equipe liderada por um indiano para um projeto do Japão. Isto evidenciou a nossa atividade global e a nossa expertise em desenvolver pessoas além das fronteiras brasileiras. Hoje, são mais de 2,5 mil talentos espalhados pelo mundo, movidos pelo espírito CI&T (Colaboração, Inovação e Transformação). Com o menor turnover da indústria (indicador de Retention de 94%), há 11 anos consecutivos a CI&T figura na lista das melhores empresas para trabalhar do GPTW (Great Place to Work) – sendo a única empresa de tecnologia a atingir esse feito. É ainda a empresa com o mais alto nível de escolaridade do ranking GPTW e a que mais promove (Fonte: GPTW 2015).  Até mesmo na China, a CI&T entrou no ranking GPTW pela primeira vez em 2016, sendo uma das 30 melhores empresas para trabalhar dentre as 137 inscritas. Nos EUA, a companhia é certificada como um Great Workplace desde 2016. Ambos os reconhecimentos dados pelo mesmo GPTW Institute.

 

Quais são as metas para a CI&T para os próximos anos?

Resposta: Em média, a CI&T cresce 30% ao ano, mantendo como meta dobrar de tamanho a cada três anos. No último ano (2016), mesmo em meio à recessão econômica, a CI&T obteve crescimento de 18% de sua receita anual. No ano anterior (2015), registrou 46% de aumento no seu faturamento global. Já no primeiro semestre de 2017, a companhia cresceu 20% em relação ao primeiro semestre do ano passado. Como empresa-filha da UNICAMP e fundada há mais de duas décadas, não houve um ano sem crescimento ao longo da sua história. Atualmente, a CI&T figura entre as empresas que mais exportam, segundo ranking da Fundação Dom Cabral. Dentre os feitos mais recentes, anunciamos a ampliação da nossa estrutura de inovação, UX e marketing digital em São Francisco, Califórnia (EUA), bem como a aquisição da Comrade – uma agência americana de estratégias digitais e design – como parte das nossas iniciativas de expansão no território americano, que elevam a multinacional brasileira a um novo patamar no mercado global. Nessa trajetória de crescimento, a CI&T está “on track” para a meta de R$ 500M de receita em 2017 e de R$ 1 bilhão para 2020.

 

Qual a mensagem você gostaria de deixar para os empreendedores que estão começando. Tem alguma dica em especial?

Resposta: O maior orgulho que um empreendedor pode ter é como ele progride a sua empresa, enquanto ajuda a formar carreiras e, principalmente, estimula o aprendizado. Neste caso, a liderança está entre os fatores-chave que determinam o sucesso de um empreendimento. Estabelecer uma relação clara da liderança com seu time, que promova um ambiente de troca e aprendizado é essencial. É preciso saber reconhecer os erros como parte do processo de aprendizado e que esse conhecimento seja compartilhado. Um bom líder precisa criar um ambiente, onde as pessoas se sintam à vontade para tentar e errar. Também é essencial permitir que o time tenha diversidade, diferentes perspectivas frente a um problema e que use a inteligência de forma coletiva e poderosa, para que todas as oportunidades sejam aproveitadas.

Redação RGE
Postado por: Redação RGE
Publicado em: 12/12/2017

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